Z – CASAL DOS CASCOS
Enquadramento Histórico: O Meio Casal dos Cascos é uma das propriedades de cariz senhorial com o historial proprietário mais instável e movimentado da freguesia. Em 1747, a herdade foi vendida por Miguel Rodrigues, que ali exercia a terceira vida do prazo, ao Alferes Pedro Gomes de Abreu, vindo do Porto. Em 1785, o casal foi arrematado em praça pública pelo comerciante Gabriel Rodrigues Nunes, que pouco depois entrou em falência, forçando uma nova venda em hasta pública em 1794 a José Bento Gouveia. Ao longo do século XIX, mudou sucessivamente de senhorio, sendo comprado em 1838 por Luís Martins da Costa, transitando depois pelo património do influente 1.º Conde de Margaride e de várias ramificações familiares até chegar aos herdeiros do Dr. João Afonso de Almeida.
Património Edificado e Engenharia: O complexo habitacional é servido por um portão monumental de aparato com um refinado recorte seiscentista (século XVII), que exibe na sua estrutura superior uma cruz central ladeada por duas pirâmides de pedra bem-talhadas. No dintel do portal sobressai um escudete esculpido com uma cruz flordelizada, elemento heráldico que denuncia a antiga ligação deste casal às nobres linhagens das famílias Pereira ou Meira.
Tradição e Cultura: A propriedade partilhava com a Casa da Ribeira o cobiçado privilégio eclesiástico das “Táboas Vermelhas”, o que significava que ostentava placas pintadas de vermelho que proibiam a entrada dos oficiais de justiça do Rei para efetuar prisões ou penhoras sem autorização prévia da Colegiada de Guimarães. O espaço cruza linhagens e relações familiares com outros prazos de Ponte, como o Soutinho, o Poço de Baixo e a Ventosela.
Curiosidades: Devido à constante e invulgar troca de proprietários, falências e vendas em hasta pública ao longo dos séculos, nasceu no seio da comunidade uma persistente lenda popular. A voz do povo afirmava convictamente que o casal carregava um fadário acidentado e uma maldição devido a antigas “restituições de bens em falta”, ditando a crença tradicional de que a propriedade nunca conseguiria manter-se de forma estável nas mãos da mesma família, não passando nunca da terceira geração.
Fonte: Livro S. João de Ponte do Reitor Joaquim A. Maciel R. Torres, Guimarães 1988, (pp. 194-196)
