V – CAPELA DO SENHOR DOS AFLITOS
Enquadramento Histórico: Templo barroco fundado na primeira metade de setecentos, em plena época áurea do estilo Joanino. A Irmandade do Senhor dos Aflitos viu os seus estatutos validados em 1776 pelo Arcebispo de Braga. O edifício conheceu vicissitudes, tendo sido suspenso do culto em 1818 pelo Visitador eclesiástico devido a graves ruínas nos telhados e estuques, motivando profundas obras de restauro.
Património Edificado e Engenharia: Capela de proporções equilibradas (8,10m x 5,85m), exibindo cornijas, rosáceas e elegantes volutas barrocas. À frente eleva-se um raríssimo cruzeiro de pedra fina (datado de 1743), assente num bloco de pedra de galho grosso e decorado com folhas de acanto e uma escultura de Nossa Senhora do Amparo.
Tradição e Cultura: Centro de enorme devoção popular e paragem mística obrigatória. A sua festa litúrgica tradicional ocorre anualmente no segundo domingo de setembro.
Curiosidades: O cruzeiro ostenta a enigmática inscrição abreviada «M. F. HIM.º DIAS DE CASTRO CPL D. p. q. 1743». O arqueólogo Albano Belino decifrou a gravação como um ex-voto particular que significa: «Me Fez Jerónimo Dias de Castro, Campelos, Deus perdoar-lhe queira, 1743». Este padrão é tão marcante que batizou a elevação geográfica na sua retaguarda como “Monte do Padrão”. Ao longo dos séculos, o orago recebeu os nomes populares de Senhor das Angústias e Bom Jesus de Campelos.
Fonte: Livro S. João de Ponte do Reitor Joaquim A. Maciel R. Torres, Guimarães 1988, (p. 50)
