K – CASA DA FREIRIA
Enquadramento Histórico: Casal de raiz eclesiástica documentado desde o século XVI, célebre pelo emaranhado de casamentos e alianças estratégicas com grandes famílias da região, como as de Sangemil, Poço de Baixo e Tojais. No século XIX, a casa foi palco de romances proibidos que escandalizaram e transformaram a linha de sucessão do património.
Património Edificado e Engenharia: Reconfigurada como um solene solar rural brasonado. Ostenta na fachada principal uma magnífica pedra de armas (brasão) em cantaria fina, esquartelada com as insígnias heráldicas das famílias Pereira, Cunha, Rodrigues e Vale, encimada pelo timbre dos Pereiras.
Tradição e Cultura: Retrata a ascensão da elite agrária de Ponte através da instrução (clérigos na Colegiada) e da fortuna gerada pelo comércio e emigração.
Curiosidades: Em 1836, a herdeira D. Luísa Pereira da Cunha chocou a sociedade ao unir-se por «amores ilícitos e sacrílegos» a Domingos António da Silva, um ex-cónego e arcediago de Vila Cova. O filho desse romance proibido veio a herdar a casa e mandou colocar o brasão atual. Duas das suas filhas (D. Maria da Assunção e D. Luísa) viriam a casar sucessivamente com o mesmo nobre, tornando-se ambas Viscondessas de Viamonte da Silveira.
Fonte: Livro S. João de Ponte do Reitor Joaquim A. Maciel R. Torres, Guimarães 1988, (pp. 199-200)
