D – RIBEIRA
Enquadramento Histórico: Território de ocupação ancestral assente num leito sedimentar glaciário profundo. O Casal da Ribeira foi emprazado formalmente pela Colegiada de Guimarães em 1483 a Afonso Gonçalves e sua mulher Maria Afonso, tendo renovação em 1536. Gozava de um estatuto e imunidade jurídica especialíssimos dentro do Antigo Regime.
Património Edificado e Engenharia: Caracterizava-se pela exibição de marcas físicas de poder senhorial. Os portais ou fachadas ostentavam placas de madeira pintadas de vermelho garrido, conhecidas como “Táboas Vermelhas”, que serviam de aviso legal imediato.
Tradição e Cultura: O privilégio das Táboas Vermelhas impedia os oficiais de justiça ordinária ou os magistrados da Coroa de entrarem na propriedade para efetuar prisões, buscas ou penhoras sem a autorização expressa do Cabido de Guimarães, funcionando o casal como um “couto” ou autêntico refúgio eclesiástico.
Curiosidades: O subsolo da Ribeira apresenta uma camada de aluvião com mais de um metro de profundidade repleta de seixos burilados. Esta formação geológica prova que o local foi um leito torrencial de degelo em tempos glaciários.
Fonte: Livro S. João de Ponte do Reitor Joaquim A. Maciel R. Torres, Guimarães 1988, (pp. 152-154)
