×

W – PONTIS PETRINA (PONTE ROMÂNICA)

Enquadramento Histórico: A Pontis Petrina é uma das pontes mais antigas de toda a região, com uma fundação anterior ao século X. Documentos medievais comprovam que tanto o primitivo cenóbio como a própria freguesia eram conhecidos pela designação de Santi Jhoanne de petra Petrina, atestando que a ponte já era uma referência secular na Idade Média. Esta travessia dava continuidade a um importantíssimo caminho alti-medievo que entroncava na antiga Estrada Romana de Braga a Guimarães, servindo como um eixo de ligação crucial para quem demandava destinos a sul, como Vila Nova de Famalicão e Santo Tirso.

  • Património Edificado e Engenharia: Trata-se de uma robusta obra de arquitetura de pedra de estilo Pré-Românico ou Românico, com um arco talhado para resistir às fortes correntes do rio Ave. O leito original de fragas naturais sobre o qual a estrutura assenta sofreu uma profunda transformação construtiva no final do século XIX, período em que foi erguido um açude de grande porte para desviar as águas rumo às turbinas da Fábrica de Fiação de algodão de Campelos, criando a atual albufeira.

Tradição e Cultura: A ponte cruzava o quotidiano e o labor dos antigos moleiros da freguesia, que frequentemente disputavam as correntes locais para canalizar a água para os seus respetivos engenhos hidráulicos, numa altura em que todos se preocupavam em levar a água ao seu moinho.

Curiosidades: O caminho que nascia desta ponte atravessava o lugar de Campelos e passava mesmo em frente à Capela do Senhor dos Aflitos, tendo como paragem obrigatória a mítica “Venda do Porto”. Esta estalagem funcionava como um centro de convívio e “lubrificação” popular, onde os viandantes e carreteiros paravam para descansar e consumir bebidas antes de retomarem as suas longas jornadas pelo Minho.

Fonte: Livro S. João de Ponte do Reitor Joaquim A. Maciel R. Torres, Guimarães 1988, (pp. 150-151)