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T – CAMPELOS

Enquadramento Histórico: O lugar transfigurou-se radicalmente a partir de 7 de maio de 1890 com a fundação da grande Fábrica de Fiação de Algodão de Campelos. O monte outrora deserto e calmo, onde apenas pontificava a Capela dos Aflitos, converteu-se no maior polo demográfico e operário do concelho no início do século XX, albergando perto de 1000 trabalhadores em simultâneo.

Património Edificado e Engenharia: Destaca-se pelo seu urbanismo de matriz fabril. Apresenta habitações operárias geminadas em banda e quarteirões organizados em redor das imponentes naves industriais e de infraestruturas sociais e religiosas criadas pela administração da companhia.

Tradição e Cultura: Berço de uma expressiva cultura operária. Ficou célebre a quadra popular cantada pelos soldados (“magalas”) que marchavam em direção à carreira de tiro de Brito: «Ó mocinhas de Campelos / Que há-de ser de vós agora! / Os paisanas não vos querem / Os militares vão-se embora!».

Curiosidades: A lenda de “Jesus em Campelos” nasceu de um erro cómico de tradução. Num determinado ano, durante o sermão da festa local, um pregador entusiasmado leu o Evangelho de São Lucas em latim: «Stetit Iesus in loco campestri» (Jesus deteve-se num lugar campestre). O clérigo traduziu solenemente para a assistência que «Jesus esteve em pessoa no lugar de Campelos». O povo aceitou a revelação com enorme orgulho e espalhou a lenda por toda a província.

Fonte: Livro S. João de Ponte do Reitor Joaquim A. Maciel R. Torres, Guimarães 1988, (pp. 120-121)