M – VENDAS
Enquadramento Histórico: Eixo viário de repouso absoluto alinhado com o tráfego que subia da Ponte Romana do Ave em direção à Boavista e Póvoa. O local prosperou comercialmente no Antigo Regime mercê das taxas e consumos gerados pelos caminhantes, almocreves e condutores de carruagens.
Património Edificado e Engenharia: Núcleo de edifícios de arquitetura civil setecentista (século XVIII). Embora um incêndio tenha destruído a estrutura interior da casa principal, as suas cantarias exteriores e as típicas “janelas denunciadoras” de época revelavam o desafogo financeiro dos antigos tendeiros.
Tradição e Cultura: Expressa a cultura dos “vendeiros” de estrada, cujo quotidiano misturava a hotelaria rústica com a taberna e o comércio de paragem. Era um ponto de notícias e fofocas regionais.
Curiosidades: Era neste preciso ponto de paragem que os cocheiros e carreteiros medievais, de vara e chicote em punho, faziam a sua pausa obrigatória para beber aguardente ou vinho — ritual tradicional a que chamavam «matar o bicho» (ou «ressuscitar o bicho» se a jornada estivesse difícil) antes de enfrentar as duras subidas da paróquia.
Fonte: Livro S. João de Ponte do Reitor Joaquim A. Maciel R. Torres, Guimarães 1988, (p. 172)
