A – IGREJA MATRIZ
Enquadramento Histórico: O local assenta no tabuleiro socalcado do passal de uma antiga exploração agrícola romana, onde no século IX nasceu um cenóbio medieval. O testamento da Condessa Mumadona (c. 959) já referia expressamente esta «igreja que foi dos nossos antepassados chamados de S. João». O templo atual é o quarto edificado no local, concluído em 1815 após décadas de litígios e embargos com a Colegiada de Guimarães, que arrecadava os avultados frutos da paróquia, mas recusava financiar as obras.
Património Edificado e Engenharia: Erguida em robusta cantaria de granito de excelente talhe. Em 1979 iniciou-se uma grande ampliação que substituiu os trinta metros quadrados da capela-mor por um transepto de 240 m², inaugurado em 1985. Destacam-se os vitrais policromados do Prof. João de Aquino Antunes (Escola de Chartres) e um altar em granito.
Tradição e Cultura: Sede secular das Confrarias do Santíssimo Sacramento, de Nossa Senhora do Rosário e das Almas. O corpo da igreja preserva de forma rara a trama original das 40 sepulturas de adultos e 12 de crianças onde a comunidade era historicamente enterrada.
Curiosidades: O altar da cripta foi decorado com os azulejos salvos da antiga capela-mor arruinada. No vitral, a imagem de São José Operário veste um manto verde em vez do tradicional amarelo; foi uma escolha artística propositada para transmitir esperança à forte classe operária local. O último sepultamento no interior do templo ocorreu em 1897.
Fonte: Livro S. João de Ponte do Reitor Joaquim A. Maciel R. Torres, Guimarães 1988, (pp. 24-36)


